Open Finance no Brasil: Quais Oportunidades Você Está Perdendo

Open Finance no Brasil: Quais Oportunidades Você Está Perdendo

Resumo: O Open Finance transformou dados financeiros e pagamentos em infraestrutura compartilhada e regulada. Entenda o marco legal, as quatro fases e onde estão as oportunidades reais para quem oferece pagamentos.

Introdução

Se a sua empresa já oferece pagamentos, ou está avaliando entrar nesse mercado, o Open Finance não é um assunto de compliance para o ano que vem. É uma mudança estrutural que redistribui quem tem acesso a dados financeiros e quem consegue iniciar um pagamento diretamente da conta do cliente, sem depender de cartão.

O ponto é simples: por décadas, os dados de conta corrente, cartão e crédito ficaram trancados dentro de cada banco. O Open Finance quebrou essa barreira ao criar, sob a coordenação do Banco Central, um ecossistema em que o próprio cliente autoriza o compartilhamento dos seus dados e a iniciação de pagamentos entre instituições.

Para gestores e times de produto, a pergunta deixou de ser "isso vai acontecer?" e passou a ser "o que estamos deixando na mesa por não usar isso?". Este post responde: o que é o Open Finance, como ele foi construído em fases e, principalmente, onde estão as oportunidades para quem trabalha com pagamentos.

Contexto: como o Open Finance nasceu

O marco regulatório inicial foi a Resolução Conjunta nº 1, de 4 de maio de 2020, editada em conjunto pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil. Ela estabeleceu o princípio que sustenta todo o sistema: o compartilhamento de dados e serviços é orientado pelo consentimento do cliente. Nada trafega sem que a pessoa ou empresa autorize expressamente, com finalidade e prazo definidos.

A estrutura de governança veio logo depois, com a Circular BCB nº 4.032, de 23 de junho de 2020, que organizou o ecossistema em três níveis: estratégico, administrativo e técnico. Na prática, padrões técnicos, regras de segurança e resolução de conflitos entre participantes seguem um modelo comum, e não a boa vontade de cada instituição.

Em 2021, o projeto, batizado inicialmente de Open Banking, foi renomeado para Open Finance, refletindo uma ambição maior: ir além de contas e cartões e abranger câmbio, investimentos, seguros e previdência. Dois anos após o lançamento, o Banco Central reportou que o Open Finance já reunia cerca de 15 milhões de clientes e um ecossistema com centenas de instituições participantes.

Como o sistema foi construído: as quatro fases

O Open Finance não foi ligado de uma vez. Ele foi implementado em quatro fases, cada uma abrindo uma camada nova de dados ou funcionalidade:

  • Abertura de dados das instituições: a primeira fase liberou dados públicos e padronizados sobre as próprias instituições e seus produtos, permitindo comparar ofertas de forma estruturada.
  • Dados cadastrais e transacionais com consentimento: a segunda fase abriu o que realmente muda o jogo. Com autorização do cliente, uma instituição pode acessar seus dados cadastrais e seu histórico de movimentação em outra instituição, base para personalização, análise de crédito mais justa e portabilidade real.
  • Iniciação de pagamentos e propostas de crédito: a terceira fase habilitou a iniciação de transação de pagamento (ITP), pagar diretamente a partir da conta do cliente sem passar por cartão, e o encaminhamento de propostas de crédito. Aqui o Open Finance passa a mover dinheiro, não só ler dados.
  • Ampliação de escopo: a quarta fase estendeu o ecossistema para câmbio, investimentos, seguros e previdência, transformando o Open Banking em Open Finance de fato.

Para quem oferece pagamentos, a fase 3 é o coração da oportunidade, mas as fases 2 e 4 abrem frentes de receita que muita gente ainda ignora.

Onde estão as oportunidades para quem oferece pagamentos

Traduzindo o arcabouço regulatório em movimentos de negócio, três frentes se destacam.

Iniciação de pagamentos: pagar sem cartão. Com o consentimento do cliente, um iniciador de transação de pagamento dispara uma transferência diretamente da conta do pagador, tipicamente via PIX, sem intermediar os recursos. Para um e-commerce, um marketplace ou um SaaS, isso significa oferecer um checkout que dispensa a bandeira e o adquirente tradicional em parte das transações. Vale lembrar: a modalidade de iniciador de transação de pagamento sempre exige autorização do Banco Central, independentemente de volume.

Crédito com dados reais. Com o histórico transacional compartilhado pelo próprio cliente, é possível avaliar risco com informação de fluxo de caixa verdadeiro, e não só com bureaus tradicionais. Para quem oferece pagamentos a lojistas, isso destrava produtos de antecipação de recebíveis, capital de giro e crédito no ponto de venda com inadimplência melhor controlada.

Dados como camada de produto. A fase de compartilhamento de dados permite construir experiências antes impossíveis: agregação de contas, conciliação automática, recomendação de produtos e prevenção de fraude com sinais de múltiplas instituições.

O denominador comum das três frentes é que todas exigem integração técnica com padrões, certificados e requisitos de segurança do ecossistema, além, em vários casos, de figura regulada perante o Banco Central. É exatamente aí que a decisão entre construir do zero e usar infraestrutura pronta define o tempo de chegada ao mercado.

Aplicação prática: por onde começar

Antes de investir, vale um diagnóstico honesto com este checklist:

  • Qual frente resolve uma dor real hoje? Reduzir custo de aceitação, melhorar concessão de crédito ou enriquecer o produto. Comece por uma, não pelas três.
  • Qual o papel regulatório necessário? Ser iniciador de pagamentos exige autorização do BCB. Consumir dados como receptor tem outro conjunto de exigências.
  • Construir ou integrar? Implementar do zero as APIs, os certificados e os controles de segurança do Open Finance é um projeto longo e caro. Um parceiro que já opera dentro do ecossistema encurta drasticamente esse caminho.
  • Como fica o consentimento na jornada? A experiência de consentimento, transparente, reversível e com finalidade explícita, é parte do produto, não um detalhe jurídico.

Um ponto que gestores costumam subestimar: o Open Finance conversa diretamente com o PIX. A iniciação de pagamentos usa a infraestrutura instantânea como trilho de liquidação, então quem já domina PIX tem meio caminho andado.

Próximos passos

Se você chegou até aqui, a ação recomendada é escolher uma das três frentes (iniciação, crédito ou dados) e rodar um estudo de viabilidade focado, incluindo o enquadramento regulatório e a decisão entre construir ou usar infraestrutura pronta.

No próximo post, olhamos para um movimento paralelo e altamente estratégico: a chegada de grandes empresas asiáticas ao mercado brasileiro de pagamentos, e por que pagamentos costuma ser a porta de entrada para operar no Brasil.

Conclusão

O Open Finance não é uma promessa distante: é infraestrutura regulada, em produção, com milhões de clientes. A pergunta não é se ele muda o jogo dos pagamentos, mas quando a sua empresa vai capturar essa oportunidade. A Plutech opera a camada técnica e regulatória para que você lance produtos sobre o Open Finance e o PIX sem construir tudo do zero. Fale com nosso time e transforme consentimento em receita.

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